A luxuosa bonequinha de Herpburn
Bonequinha de Luxo -
Um dos temas mais corriqueiramente abordados, tanto em novelas quanto em filmes
de qualidade discutível, é o famoso “golpe do baú”, no qual um personagem
tenta, muitas vezes em vão, unir-se a outro por interesses econômicos escusos.
Poderia ser esse, também, mais um episódio do cotidiano. No entanto, na década
de 60, quando foi lançado Bonequinha de Luxo
(Breakfast at Tiffany’s, 1961),
outros assuntos apareciam com mais evidência devido ao contexto político e
histórico pelo qual transitava o mundo.
Apesar da amplitude de possibilidades temáticas e ideias das
quais poderiam se servir os diretores, o longa-metragem, baseado no livro
homônimo do jornalista Truman Capote, é um dos mais lembrados atualmente pelos
cinéfilos. Em grande parte, o reconhecimento de Bonequinha de Luxo, dirigido por Blake Edwards, deve-se à nobreza e glamour da atuação
da belga Audrey Hepburn, uma das musas do cinema, morta em 1993 devido a um
câncer de apêndice.
A história se passa em Nova York. Audrey interpreta a jovem
ambiciosa e, por vezes, inocente Holly Golighty, cujo sonho é casar-se com
alguém que possa realizar seus desejos materiais. No entanto, a vida de Holly
esbarra em situações que não podem ser controladas pela personagem. Encontros
inesperados, surpresas e mortes, que a tornam aparentemente mais firme para
conquistar o que considera certo para si.
Holly conhece um jovem escritor rufião chamado Paul Varjak
(George Peppard), que sobrevive sob cuidados financeiros de Mrs Failenson
(Patricia Neal). Com a proximidade, a protagonista passa a compará-lo a seu
irmão Fred e o chama apenas pelo codinome. O envolvimento visível dos
personagens parece indiferente aos olhos de Holly, que continua a ansiar pela
união com homens que possam lhe suprir as carências materiais, ao passo que seu
companheiro distancia-se cada vez mais de sua amante para dedicar-se à garota,
que decide casar-se com um fazendeiro brasileiro.
Em uma cena na qual fazia sua primeira (e única) peça de tricô,
pelo rádio, ouvimos, junto à concentrada personagem, lições de língua
portuguesa. No entanto, por descuido ou displicência, os ensinamentos são
passados em português de Portugal, e não do Brasil, cujas variações de
significados, se mal aplicadas, podem deixar constrangidos os iniciantes.
Apesar das pretensões, novamente Holly é atropelada por
desígnios desconhecidos e, como todo bom filme romântico, atende aos desejos
dos espectadores sonhadores e o desfecho é a sempre esperada união do casal
principal, cujas ambições, aparentemente, cedem espaço para sentimentos mais socialmente
aceitáveis.
Embora se entregue às previsibilidades no enceramento, o
filme continua a ser uma das referências do cinema. A já citada atuação de
Audrey Hepburn e a forma como é apresentado o amadurecimento da personagem e
sua consequente mudança de posicionamento em relação à vida, principalmente
após dolorosas palavras ditas a ela pelo escritor Varjak, são pontos em que o
longa-metragem se afasta definitivamente das banalidades existentes sobre o
mesmo assunto.
À época do lançamento, Bonequinha
de Luxo conquistou as estatuetas de Melhor Canção Original e Melhor Trilha
Sonora do Oscar, em 1962.
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Eu comecei a assistir, mas desisti. Apesar de ser apaixonada pela obra de Capote, o filme não conseguiu me interessar. Talvez pelo tema tão banal.
ResponderExcluirSeus comentários estão perfeitos, querida. Eu adorei.