Herdeiros do Bim Bom
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| "Chega de saudade" reúne histórias dos músicos que originaram a Bossa Nova |
Ruy Castro afirmou certa vez, em uma entrevista, que, por
não ter vocação para música, optou por escrever sobre esse tema ao qual tem se
dedicado com afinco desde a década de 90, dividindo seu tempo, também, entre
leituras, cinema, futebol e biografias.
Em Chega de Saudade, lançado na década de 90, Castro
proporciona ao leitor uma viagem no tempo, apresentando os primeiros passos
daquele que, em sua quietude e desordem, seria, alguns anos depois, o expoente
da Bossa Nova: João Gilberto. A partir da infância do músico em Juazeiro, na
Bahia, o escritor reconstrói detalhadamente toda a história do gênero musical
que, no começo, era considerado devaneio de jovens descontentes com o que
existia no cenário da época.
A batida descoberta por João Gilberto, após ser difundida e
compreendida tanto por jovens quanto pelos mais conservadores, se transformou no
xodó dos músicos da época. No ínterim entre a busca pelo novo e a difusão da
Bossa Nova, grandes músicos surgem e se destacam no Rio de Janeiro, como Tom
Jobim, João Donato, Sylvinha Telles, Maysa, Nara Leão, Roberto Menescal,
Carlinhos Lyra, Elis Regina, Edu Lobo e outros. São apresentadas, também,
histórias de renomados artistas como Lúcio Alves, Dick Farney, Dick Haymes, que
dividiam opiniões entre os jovens cariocas, e do unanimemente adorado Frank
Sinatra.
Tida, hoje, como ultrapassada pela nova geração, a Bossa
Nova continua a influenciar os brasileiros, tanto pela sua história quanto pelo
seu tom. O livro Chega de Saudade possibilita o conhecimento não apenas do
surgimento do estilo musical, mas do contexto em que se deu esse nascimento. A
narrativa construída por Ruy Castro é resultado de conversas com cerca de 200
entrevistados e pesquisas.
No epílogo, Castro revela que, “segundo dados oficiais, ‘Garota
de Ipanema’ rivaliza com ‘Yesterday’, de Lennon & McCarntney, na casa dos 5
milhões de execuções, e ‘Águas de Março’ foi apontada pelo crítico Leonard
Feather como uma das dez canções do século’”. Os números revelam aos
brasileiros a riqueza de nossa cultura, embora a Bossa Nova, hoje, seja
lamentavelmente desvalorizada pelos mais jovens. E a obra de Ruy Castro nos transporta
inteiramente para o cotidiano dos boêmios cariocas, tornando-nos parte de uma
história da qual somos felizes herdeiros.
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Eu sou suspeita no que se refere ao Ruy Castro, que eu adoro. Ele é uma fonte de informações que vão do risível ao seríssimo. O livro é surpreendente, as informações são de primeira. Quando eu comprei o livro, pensei: Será que é chato? Mas eu adoro bossa nova e me arrisquei. Não consegui largar antes de chegar à dolorosa última página. Foi ruim ver que não havia mais um monte de páginas para ler.
ResponderExcluirPaula, adorei o que escreveu sobre o livro e assino embaixo. Claro que não tenho a sua sensibilidade para descrevê-lo, mas posso afiançar que Ruy Castro e Bossa Nova são uma mistura mais do que perfeita.