Conto: 16
Sexta-feira. Duas e quarenta e cinco. O último pedaço de
frango escapou mais uma vez do garfo, que o espetou em seguida. Com as mãos
brancas, ele levou o alimento à boca e depositou os talheres sobre o prato.
Em 15 minutos, estaria em casa. Expectativas para o final de
semana. Levantou-se vagarosamente. Colocou o guardanapo sobre a mesa. Empurrou,
com a panturrilha, a cadeira branca de plástico, levemente manchada. Não
reparou o homem que havia se posicionado à sua frente.
Ergueu a cabeça para pedir licença e desejar-lhe um bom fim
de semana, com seu sorriso torto de malandro.
Respirou. Abriu a boca. A cabeça e a arma. A arma na cabeça.
Suspiro. Amigo, leve o que quiser, mas não atire.
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